Coisas da vida
Tenho até dia 14 de dezembro para entregar minha monografia. Pronta, fechadinha, impressa em três vias e encadernada. Com conclusão e referências, com dedicatória e tudo.
Hoje, faltam três semanas. Não sei quantas páginas tenho, mas certamente evoluí daquelas seis que eu tinha. Já (!!) estou nas análises! Tomara que eu consiga.
Hoje acordei meio estranha. Talvez seja só ansiedade, não sei. Provavelmente. Não tenho conseguido pensar nas coisas com muita clareza, estou tão exausta... mas o ano já vai terminar, e um novo ciclo começa para mim. É o término de uma fase, o início de outra. São tantas expectativas... conseguir me formar já é um sonho. Conseguir realizar esse sonho significa tanto pra mim! Jornalista...
Rezem por mim!
Abaixo, um post que me foi enviado por email. Bem interessante, faz refletir sobre as escolhas que fazemos na vida de um modo bem sutil.
Abs!!
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CAVEIRINHA
depoimento 1
A chuva e fina mas muito fria,chovia havia horas e a roupa ja estava muito molhada, mas que merda, era pra estar atras de uma mesa agora,afinal a duas semanas para a aposentadoria ser mandado para o morro pegar bandido, era contra as normas...mas como o chefe disse " nao podemos deixar esse merdinha ai se safar, afinal matou dois policiais so esta semana, o que eu vou dizer para a sociedade,e pior, para o prefeito que vai comer meu rabo, nao tem choro, todo mundo na rua e e pra ontem".
As ruas eram uma especie de labirinto, estreitas e cheias de bifurcacoes, sabia que tinha um monte de policiais pelos cantos, mas nao se sentia seguro, levar um tiro agora, seria muito azar, caminhava devagar, com a pistola com uma bala na agulha, nao iria vacilar, mesmo que tivessem ordenado pra pegar o maldito vivo...afinal nao seria bom pra opiniao publica matar o meliante,afinal...poderia ser vinganca e tambem por ser...ora bolas que se fodam, nao iria dar mole pra bandido, muito menos pro Caveirinha, que ja tinha matado muita gente.
De repente ele pulou na frente como um predador, com as garras prontas para o ataque....POU!POU!
Pulou para o lado nao por causa do treinamento de anos de atividade, mas por instinto, medo, susto...POU!POU!POU!POU! puxou o gatilho e ficou com o dedo nele ate bater no asfalto..
Rolou para traz de uns tijolos sentindo uma queimacao no ombro, tentou levantar, mover o braco mas nao conseguiu,assim estava em situacao de risco, se encolheu na parede e ficou ali,tremendo, nao sabia se era de frio ou medo, com a chuva batendo no rosto, atrapalhando a visao....nada...
Moveu-se um pouco olhou pelas frestas que tinha no entulho, e nao viu nada...sera que ele esta la so esperando que botasse a cabeca pra fora...pou! ja era.
Nao era burro,nao estava la..com os tiros todo o policial por perto ja tinha corrido para o local...nao, nao estava la.Levantou esticou o braco apontando a arma a frente e foi caminhando vagarosamente...logo em seguida viu um vulto caido numa poca d'agua..la estava ele o temido Caverinha, so de short, sem camisa..nao mais que uns 55 quilos,raquitico....Caveirinha...14 anos...traficante, assassino..usuario de crack e cocaina...sua ultima palavra.....mae..
depoimento 2
Dona Nonoca (era como a chamavam) tinha se levantado naquela manha de chuva fina e fria com um aperto no coracao, uma agonia,tentou fazer um cafe, mas nao conseguiu, o cheiro causou-lhe nausea..pegou uma vassoura e comecou a limpar o pequeno barraco..agonia, nao era de doenca..tinha feito uns exames a pouco tempo ...nao tinha nada.Nao estava gostando daquilo...
Assustou-se ao ouvir umas batidas na porta,freneticas...mas quem poderia estar batendo na porta com esse frio e com essa chuva...
- Dona Nonoca, dona Nonoca abra sou eu....
Abriu a porta.
- Dona Nonoca mataram o Ze Augusto..a policia matou ele....
O chao abriu-se ao seus pes, o teto rodou,,, desfaleceu....meu filho...temia por esse dia, rezava para que nunca acontecesse, mas nao fora feliz..se bem que ja sabia...afinal o filho ja estava perdido para as drogas,para o trafico..mas tinha esperancas, tentara, nao conseguira, nas poucas vezes que esteve com ele apos sua saida de casa..ele nao era um mau menino, ia a escola, era estudioso, educado, tinha carinho....ate que um dia conheceu um malandro da vizinhanca....um pouco mais velho que ele..sempre bem vestido..um tenis legal..chamou a atencao do meu menino...foi ai que se perdeu...me disse que estudar nao tava com nada..que podia ter dinheiro pra ajudar na casa...para comprar o que quisesse...junto veio a droga...a saida de casa...Ficou sabendo do apelido "Caveirinha", tadinho..porque um apelido dessses, uma judiacao...nao era um mau menino, porque nao me escutara..
Realidade
A chuva estava fria,mesmo so de short e chinelo ele nao sentia frio...alem da adrenalina da fuga, tava doidao..a coisa era da boa..tava ligadao...porra de policia..quem sera que foi o filho-da puta que o dedurara..esse quando o encontrar ja estava morto..afinal eu sou o Caveirinha..eh!he!he!
Mas nao seria facil..que viessem...levaria uns com ele...ia morrer, nao ia se entregar..pra que..iriam dar um fim nele mesmo assim..iria levar uns com ele, ia detonar os home com as suas belezinhas..duas pistolas cromadas..bonitas...
Lembrava-se do dia em que foi falar com o Carlao..de tanto inssistir..fora chamado..bom amigo aquele maluco que me indicou...
O carlao me dissera que eu iria ser aviaozinho, entregador dos papelotes la em baixo, na praca do colegio..afinal eu era aluno da escola..ele iria me dar muito dinheiro...bom..podia comprar umas roupas maneiras..uns tenis da hora...beleza, e nao precisaria mais estudar..porra a mae sempre batia na mesma tecla era so eu falar com ela e ela la vinha com a estoria..
"Filho, larga dessa vida..volta a estudar...voce vai ser preso ou pior morrer...",enchi o saco sai de casa...Minhas belezinhas...presente do Carlao..ele veio aquele dia e me perguntou se eu queria uma grana maior e mais facil...disse que sim..ele me falou que tinha que ser muito macho para o que queria que fizesse, e achava que ele dava conta do recado'dissera que sim..ele me mostrou as pistolas e disse que se fizesse o servico direitinho..elas seriam minhas..
Aquela noite foi maneira, muito cheiro..coisa do caralho...Os filhos-da-puta estavam ali parados tomando uma ceva..nao desconfiaram de nada....foi tiro pra todo lado,as armas eram pesadas e dificeis de segurar..mas o servico foi feito..os tres cairam..foram os primeiros..gostei..gostei de me sentir poderoso..uma ser poderoso...dali pra frente nao parei mais..eh!eh!eh!ai comecaram a me chamar de Caveirinha.....porra so porque eu sou magro....mas eu sou Caveirinha, a morte em pessoa....
Estava ali, na lage a espreita....quem passasse por ali tava morto...e seria o puto que tinha aparecido ali de repente....tinha "viajado na maionese" dera mole...esperou..
Quando estava perto pulou da lage com as armas ja atirando, Pou!Pou!
Sentiu seus pes no asfalto e logo em seguida uma quimacao no peito...o ceu girar...queimava..doia..doia..que porra...tava com medo..sera que ia morrer...nao queria morrer..medo...nao conseguia respirar....medo....mae.
